A expulsão forçada de um passageiro de uma aeronave da United Airlines foi, ao que tudo indica, produto de uma sucessão de erros em casos de overbooking – venda de passagens acima do número de lugares disponíveis. Um cliente de 69 anos, que pagou pelo seu assento, foi arrastado pelo corredor porque o voo estava cheio. Outros passageiros registraram a cena, que rapidamente viralizou na internet. Inúmeros questionamentos e dúvidas vêm à mente, mas um aspecto ficou claro desde o início: a conduta inadequada revela despreparo da equipe de bordo que, provavelmente, não foi devidamente treinada para lidar e gerenciar situações desse tipo.Para evitar prejuízos internos e, principalmente externos, as empresas precisam se preocupar e valorizar o desenvolvimento humano de seus colaboradores – ainda mais em momentos de crise, quando aumentam os desafios, a pressão e as incertezas. Mais do que regras, números, protocolos e manuais, é preciso estimular a reflexão, o raciocínio lógico e a inteligência emocional para driblar saias-justas e “pensar fora da caixa”, principalmente durante situações difíceis.
Nesse sentido, treinamentos corporativos para a carreira devem englobar o desenvolvimento de ‘soft skills’, que nada mais são do que um conjunto de habilidades comportamentais que todo profissional deve constantemente observar e aprimorar. Comunicar-se de forma assertiva, dar e receber feedbacks eficazes, gerenciar conflitos, influenciar e motivar pessoas, atender bem um cliente, relacionar-se de forma colaborativa, ser produtivo são apenas alguns exemplos de habilidades “globais” valorizadas no mercado de trabalho, em qualquer segmento ou companhia.
Em entrevista à HR Dive, Blair Decembrele do Linkedin, afirmou que 59% dos profissionais de Recrutamento & Seleção afirmam estar em busca de candidatos que tenham as “soft skills adequadas” à função que ocupariam na empresa – como por exemplo, habilidade de se comunicar e de desenvolver pensamento crítico. A questão é que “soft skills adequadas” são difíceis de serem identificadas em currículos e entrevistas. Por isso, devem ser ensinadas, acompanhadas e constantemente reforçadas pela liderança e pela área de T&D. Não há outra saída.
São poucas as empresas que investem e oferecem aos colaboradores, de maneira contínua e estruturada, programas voltados ao desenvolvimento de soft skills. Na maioria delas, uma lacuna vai se abrindo, se abrindo, até que alguém note que o buraco está fundo demais.
É preciso lembrar que todos os dias cada um dos colaboradores tem oportunidades de expor a marca corporativa a agentes externos. Se há pouco tempo comportamentos profissionais desaprovados poderiam passar despercebidos ou afetar apenas um grupo restrito, hoje a notícia de que “alguém fez algo que não deveria” se espalha na velocidade da luz, muitas vezes alcançando clientes e investidores antes mesmo de chegar ao RH ou à sala de diretoria. Por esse motivo, assumir uma posição passiva em relação às soft skills e aos treinamentos comportamentais é, antes de tudo, um enorme risco.
Treinamentos ajudam a reforçar condutas e nortear comportamentos esperados. Para evitar danos ao negócio e o gosto amargo da crise de imagem, similar ao sentido recentemente pela United Airlines, a capacitação e o desenvolvimento humano precisam ser prioridade. Pessoas em primeiro lugar. Por isso, diga sim ao desenvolvimento de soft skills!
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